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Faculdade de Ciências e Tecnologia

Nanocircuitos e Sistemas Analógicos

Código

10501

Unidade Orgânica

Faculdade de Ciências e Tecnologia

Departamento

Departamento de Engenharia Electrotécnica

Créditos

6.0

Professor responsável

João Carlos Palma Goes

Horas semanais

5

Total de horas

4

Língua de ensino

Português

Objectivos

O objectivo genérico principal da unidade curricular de CCSIA é:

Dar ao aluno a capacidade de utilizar técnicas básicas e avançadas de projecto eléctrico (analítico) de circuitos integrados, nomeadamente projecto de topologias clássicas e avançadas de amplificadores e análise de funções de transferência de circuitos realizados em condensadores comutados. É transmitida uma abordagem analítica onde, no final do semestre, o aluno conseguirá projectar amplificadores de moderada complexidade, totalmente com base em equações, e com o mínimo recurso a simuladores eléctricos. A maior parte dos aspectos relacionados com as tecnologias CMOS (e as suas maiores limitações) são abordados, bem como as técnicas mais utilizadas no desenho das máscaras em estruturas básicas (agregados de condensadores, ‘layout’ de resistências e ‘layout’ eficiente de transístores em ‘stack’).

Por fim e uma vez que os alunos não têm nenhuma disciplina que trate os diferentes tipos de ruído presentes num circuito electrónico, uma breve introdução a estes assuntos é também leccionada em CCSIA.

Os principais objectivos estratégicos a alcançar pelos alunos que frequentem com sucesso a disciplina de CCSIA são os seguintes:

1)      Compreender a tecnologia CMOS, as suas potencialidades e limitações, nomeadamente dos transístores NMOS e PMOS. Aprender as equações que regem os dispositivos MOS nas suas diferentes regiões de operação, os esquemas de polarização óptimos, bem como os seus modelos para efectuar a análise de pequenos sinais a baixas e a médias/altas frequências. Compreender os efeitos de corpo, efeitos de modulação de canal e efeitos de canal curto nos dispositivos MOS.

2)      Saber analisar, dimensionar e simular electricamente as topologias mais básicas de amplificadores com um único dispositivo, as topologias “cascode” e os pares diferenciais com dois transístores. Compreender a origem física dos pólos e zeros em médias/altas frequências nestes amplificadores básicos (sem realimentações).

3)      Saber analisar, dimensionar analiticamente (e.g. em MATCAD) e simular electricamente amplificadores de um andar pseudo-diferenciais e completamente diferenciais de topologias cascode, nomeadamente o cascode-dobrado, cascode-telescópico e o cascode-espelhado, bem como o clássico amplificador de dois andares com compensação de Miller. Perceber a necessidade dos circuitos de realimentação de modo comum.

4)      Entender os diferentes tipos de ruído associados aos dispositivos num dado circuito integrado, compreender a noção de ruído amostrado e saber calcular analiticamente o factor de excesso de ruído total num amplificador cascode de um andar.

5) Saber analisar diversos circuitos em condensadores comutados (CC) no domínio do tempo discreto (circuitos de amostragem e retenção, circuitos de ganho programável, conversores digital-analógico por redistribuição de carga, etc.) e saber analisar e projectar filtros de 1ª ordem (integradores) em CC. Saber realizar diferentes esquemas de geração de fases para circuitos em condensadores comutados e interiorizar bem os efeitos nefastos inerentes à injecção de carga dependente e independente de sinal bem como as técnicas mais utilizadas para os minimizar.

Pré-requisitos

Os requisitos necessários para a frequência com sucesso da disciplina de CCSIA são os seguintes:

-          Teoria de Circuitos Eléctricos (TCE): métodos e técnicas de análise de circuitos eléctricos de parâmetros concentrados; teoremas e leis fundamentais. Nesta disciplina os alunos já adquirem uma certa experiência na utilização de programas de computador para simulação de circuitos ao nível eléctrico (“P-SPICE”).

-          Electrónica I: díodos, transístores de junção bipolar, transístores de efeito de campo, amplificadores multi-andar; andares de saída; portas lógicas TTL e CMOS; amplificadores operacionais. Esta disciplina dá formação básica em termos dos dispositivos electrónicos existentes e dos seus modos de funcionamento de modo a permitir-lhes projectar, implementar e testar circuitos com o nível de complexidade equivalente a um amplificador operacional multi-andar utilizando componentes discretos.

-          Electrónica II: nesta disciplina são apresentados os conceitos relacionados com as questões de resposta em frequência, teoria da realimentação, estabilidade e compensação de amplificadores. Ao nível de sistema estudam-se os filtros contínuos e os diferentes tipos de osciladores.

-          Noções de probabilidades: média, variância, auto-correlação, função densidade de probabilidade, variáveis aleatórias Gaussianas, etc.

-          Teorema da amostragem e Transformada Z.

De salientar ainda que, alunos provenientes de cursos de 1º ciclo a nível europeu têm, habitualmente, os conhecimentos suficientes para a frequência da disciplina.

Conteúdo

O programa encontra-se dividido em cinco módulos:

-          Tecnologia CMOS;

-          Projecto de Amplificadores CMOS;

-          Tipos de ruído, ruído amostrado (KT/C) e cálculo do factor de excesso de ruído em amplificadores CMOS;

-          Circuitos em Condensadores Comutados (CC) no domínio do tempo;

-          Filtros utilizando técnicas de CC.

A parte de Tecnologia CMOS (1) cobre a diversos aspectos tais como o transístor MOS, os diferentes passos de fabrico e os diferentes tipos de modelos eléctricos. Em detalhe descreve-se a origem dos circuitos integrados, a Lei de Moore, os diferentes elementos eléctricos disponíveis em processos CMOS standard, os símbolos e convenções, o problema do latch-up, o transístor MOS a operar como condensador ou como resistência, o transístor MOS a operar nas diferentes zonas de inversão (fraca, moderada e forte) e, em inversão, as regiões de tríodo e de saturação (zona activa). São apresentados ainda os efeitos de canal curto e de modulação de canal. Mostra-se a forma de polarizar (em DC e sempre em modo de corrente com a excepção dos transístores cascode) transístores MOS por utilização de espelhos de corrente simples e derivam-se os modelos de pequenos sinais para baixas e médias/altas frequências (onde se explica em detalhe a origem física de todas as capacidades parasitas).

A segunda parte da matéria teórica cobre o projecto analítico de amplificadores em CMOS (2). São introduzidas (por analogia com as versões em tecnologia Bipolar) as 3 topologias básicas de amplificadores (IGNOREe comum, dreno comum e porta comum) e são explicadas outras topologias de espelhos e IGNOREes de corrente com impedância de saída acrescida. Seguidamente, derivam-se as topologias cascode e a estrutura do par diferencial. Com estes blocos básicos avança-se então para os amplificadores de transcondutância de um andar (cascode telescópico, cascode dobrado e cascode espelhado) com entrada diferencial e para os amplificadores clássicos de dois andares com compensação de Miller. Por fim, e para fazer a ponte com a investigação desenvolvida no grupo, mostram-se topologias de dois andares mais sofisticadas, nomeadamente com recurso a compensações híbridas cascoded-Miller, com realimentação positiva e com técnicas de self-biasing. Mostra-se aqui, nesta fase, a grande importância dos optimizadores de circuitos na medida em que permitem fazer o dimensionamento óptimo de amplificadores operacionais muito complexos de ordem igual ou superior a 4 para diversos parâmetros de desempenho em simultâneo (mais de 7).

Em termos de ruído fala-se dos diferentes tipos de ruído num circuito integrado, em particular do ruído térmico e do ruído de flicker (1/f). Mostram-se noções de densidade espectral de potência de ruído, largura de banda de ruído (ruído filtrado), soma de diferentes IGNOREes de ruído e modelos de densidade espectral de potência de ruído para os diferentes elementos (nomeadamente para resistências e transístores MOS). Por fim demonstra-se (deriva-se) a noção de ruído amostrado (kT/C) e explica-se como se calcula o ‘factor de excesso de ruído’ num amplificador do tipo “cascode-dobrado’.

A quarta parte da matéria lida com a implementação em CMOS de circuitos em condensadores comutados (3). Fala-se em detalhe da problemática da implementação dos interruptores em particular dos efeitos da sua resistência de condução finita (e inconstante com a amplitude do sinal) bem como a problemática da injecção de carga quer dependente quer independente de sinal (‘clock-feedthrough’). São apresentadas as técnicas mais utilizadas para minimizar os efeitos de injecção de carga e são descritos os circuitos geradores de fases clássicos mais utilizados. Novamente, para efectuar a ponte com a investigação desenvolvida no grupo, ilustra-se a funcionalidade da utilização de fases com sobreposição temporal (‘overlapping’) em tecnologias CMOS nanométricas e das técnicas de linearização de interruptores utilizando bombas de carga e de novas técnicas de linearização de interruptores (SLC) que quase não têm qualquer efeito de stress sobre o óxido das portas dos dispositivos. No domínio do tempo são descritos e analisados em detalhe diversos circuitos de amostragem-e-retenção, amplificadores de ganho (programável ou não), conversores D/A por redistribuição de carga e conversores D/A multiplicativos (MDACs) para utilização em ADCs concorrenciais e algorítmicos. São ainda analisados os efeitos de ganho finito (A), tensão de deslocamento (de ‘offset’) não nula e de produto ganho-largura-de-banda (GBW) finito. Por fim explica-se o funcionamento de comparadores CMOS utilizando técnicas de cancelamento da tensão de deslocamento em CC à entrada e na saída dos andares de pré-amplificação.

A última parte do programa diz respeito aos filtros em condensadores comutados (5) (1ª ordem apenas) onde se revisitam as noções de transformada Z, teorema da amostragem e problemas de sobreposição espectral, projecto de filtros em tempo discreto, resposta em frequência e estabilidade e analogia com os filtros em tempo contínuo. 

Bibliografia

A bibliografia da disciplina centra-se num livro recomendado bem como nas transparências (slides) disponibilizadas na página da disciplina no ‘Moodle’ mas tem ainda dois livros mais recentes opcionais:

[recomendado] David Johns, Ken Martin, Analog Integrated Circuit Design, 1997, John Wiley & Sons.

[opção 1] Behzad Razavi, Design of Analog CMOS Integrated Circuits, 2001, McGraw-Hill.

[opção 2] Willy Sansen, Analog Design Essentials, 2006, Springer.

Embora tendo sido editado em 1997, o livro recomendado é actual e adequado ao ensino de um curso universitário. Trata os diferentes assuntos com o rigor e a generalidade necessária cobrindo, em 10 dos seus 16 capítulos constituintes, todos os temas abordados na disciplina.

Método de ensino

Métodos de Ensino Teórico 

As aulas teóricas têm a duração de duas horas e são semanais. As aulas teóricas incidem na apresentação de métodos e ferramentas analíticas necessárias para a análise e dimensionamento óptimo de amplificadores CMOS de moderada complexidade bem como da análise de circuitos em condensadores comutados quer o domínio do tempo quer na frequência. São frequentemente utilizadas transparências mas a resolução e análise dos circuitos é sempre efectuada no quadro (a giz) de forma muito detalhada.

Métodos de Ensino Prático 

As aulas práticas têm uma duração de três horas, havendo uma aula semanal. Em cerca de 25% das aulas práticas (3 aulas num total de 12) são resolvidos pelos alunos alguns problemas associados à matéria teórica (exceptuando-se os circuitos em condensadores comutados que são cobertos de forma exaustiva e exclusiva nas aulas teóricas). As restantes aulas são habitualmente dedicadas a execução dos três trabalhos de laboratório onde, no terceiro e último trabalho, se dá total autonomia aos alunos.

De salientar que a disciplina de CCSIA requer ainda algumas ferramentas especializadas para os alunos poderem dimensionar analiticamente (e.g. MATCAD), editar os esquemáticos do circuito (e.g. CADENCE ‘schematic Editor’), simular electricamente (e.g. SPECTRE), proceder ao desenho das máscaras (‘VIRTUOSO ‘layout Editor’) e, eventualmente, verificar as regras de desenho e a correcta conectividade (e.g. ASSURA ou CALIBRE) e extrair uma ‘netlist’ do circuito com os parasitas (R’s e C’s) associados. A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa é membro do programa europeu EUROPRACTICE desde 1998 e possui 30 licenças completas da ferramenta ‘CADENCE IC PACKAGE’ e 10 licenças completas da ferramenta CALIBRE da MENTOR GRAPHICS.

Método de avaliação

A avaliação é feita independentemente para a parte teórica e para a parte prática. Para efeitos de classificação final na disciplina de CCSIA, a parte teórica tem um peso de 70% e a parte prática tem um peso de 30% onde é o 3º trabalho de laboratório que mais contribui para a nota final da parte prática. A parte teórica pode ser feita através de um exame de entre duas datas possíveis (época normal ou época de recurso). 

Para efeitos da realização dos três trabalhos práticos, os alunos devem organizar-se em grupos nunca superiores a três alunos, sendo a classificação individual. Os três trabalhos práticos são sempre realizados nas próprias aulas práticas e os alunos devem entregar um relatório descrevendo o trabalho realizado, a abordagem seguida e os resultados obtidos. A nota de cada aluno tem em conta o relatório realizado e a sua discussão (em grupo), em particular do 3º e último trabalho (trabalho final).

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