
Epidemiologia para Investigação Clínica
Código
101003
Unidade Orgânica
Faculdade de Ciências Médicas
Departamento
Gabinete de Estudos Pós-Graduados
Créditos
5
Professor responsável
Dr. Pedro Caetano
Língua de ensino
Português e Inglês
Objectivos
Os objectivos são que os estudantes dominem os conceitos epidemiológicos da investigação clínica e que os apliquem usando análise bioestatística.
Nos Conceitos, os alunos, no final da unidade, dominarão três áreas gerais da epidemiologia: A ocorrência, causa e intervenção na doença. Na Medição da Ocorrência das Doenças, serão capazes de quantificar a morbilidade (prevalência, incidência) e mortalidade bem como ajustá-las para comparar populações. Na Identificação das Causas das Doenças, os alunos avaliarão se de facto existe uma relação causa-efeito verificando a validade estatística da associação (sem problemas aleatórios, viés, fatores que confundem**) e se essa associação é causal (força, mecanismo, consistência, temporalidade, dose-resposta). Saberão apresentar dados e distinguir as várias medidas de risco, além de entender os três tipos de estudos observacionais (descritivos, caso-controlo, coorte) bem como a informação que se extrai de cada. Na Medição das Intervenções na Doença, dominarão conceitos qualitativos e quantitativos para o planeamento e condução de ensaios clínicos.
Na Análise, os alunos saberão analisar os vários tipos de estudos, controlando a componente aleatória usando bioestatística inferencial. Deverão também avaliar e controlar viés e fatores que confundem.
Os estudantes farão o Aprofundamento desta aprendizagem sabendo resolver e discutir problemas práticos em áreas específicas como a farmacoepidemiologia.
Pré-requisitos
Os estudantes deverão ter frequentado previamente uma cadeira de ensino graduado na área da bioestatística, de preferência usando programas informáticos como o SPSS, SAS, ou STATA, como por exemplo a unidade curricular de Bioestatística da FCM do Doutoramento em Medicina/Ciências da Vida ou do Mestrado em Investigação Clínica.
Conteúdo
A. Conceitos Epidemiológicos para Investigação Clínica: Ocorrência, Causa e Intervenção na Doença.
I. Medição da Ocorrência das Doenças. Morbilidade (prevalência, incidência) e mortalidade, ajustamento comparando populações.
II. Identificação das Causas das Doenças. Relação causal: Validade estatística da associação (sem problemas aleatórios, viés, fatores que confundem), determinação da causalidade da associação (força, mecanismo, consistência, temporalidade, resposta-dose). Apresentação de dados e medidas de risco. Estudos observacionais:
1. Descritivos
2. Caso-controlo
3. Coorte.
III. Medição das Intervenções na Doença. Planeamento e condução de ensaios clínicos (estudos intervencionais): População, randomização, estratificação, poder estatístico, tamanho da amostra, tipos de erro, recrutamento, colheita e gestão de dados.
B. Análise Bioestatística dos Dados Recolhidos e Controlo da Validade dos Estudos
I. Controlo da Componente Aleatória. Bioestatística inferencial, teste de hipótese, intervalos de confiança.
II. Controlo de Viés. Tipos, avaliação e controlo através do planeamento do estudo.
III. Controlo dos fatores que confundem: Métodos no planeamento e na análise do estudo.
C. Aprofundamento Prático dos Conceitos Epidemiológicos e da sua Analise Bioestatística em Áreas Especificas
I. Farmacoepidemiologia: Discussão e análise de casos como o Vioxx, uso de técnicas bioestatísticas como a regressão logística e os propensity scores.
II. Outras Áreas (por exemplo epidemiologia social, epidemiologia do cancro).
Bibliografia
- Gordis, Leon. Epidemiology.(Fourth Edition). Saunders-Elsevier, Philadelphia (2009).
- Henneckens, C. H. et al. Epidemiology in Medicine. LWW, Philadephia (1987).
- Norman, G.R.; Streiner D.L. Biostatistics: The Bare Essentials (with SPSS) (3rd Edition) B.C. Decker, Hamilton (2008) (Nota: Comprar sem SPSS, se já tem SPSS no computador).
- Szklo, M.;Nieto, J.E. Epidemiology: Beyond the Basics (2nd edition), Jones and Bartlett, Philadelphia (2006).
- Rothman, K. et al Modern Epidemiology (3rd edition), LWW, Philadelphia (2008).
Método de ensino
Por semana 2 horas de aulas teóricas para apresentar e discutir os conceitos epidemiológicos, além de uma hora prática para introdução à analise, encorajando os estudantes a iniciarem e serem auto-suficientes na resolução de problemas com software estatístico como o SPSS, SAS, ou STATA. Em algumas aulas professores convidados também leccionarão.
Método de avaliação
Testes escritos e de escolha múltipla sobre os conceitos epidemiológicos das aulas teóricas; resolução de exercícios de análise individuais e em grupo fora das aulas ou a sua finalização após inicio nas aulas praticas. Participação na discussão sobre planeamento, apresentação de dados, objetividade e cálculos de vários artigos epidemiológicos.