
Questões de História da Filosofia
Código
722031059
Unidade Orgânica
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Departamento
Filosofia
Créditos
10.0
Professor responsável
Marta Mendonça
Horas semanais
4
Língua de ensino
Português
Objectivos
a) Compreensão aprofundada da relevância da história da Filosofia como parte integrante dos problemas filosóficos e como fonte de interpelação e não-unilateralidade na reflexão filosófica;
b) Conhecimento aprofundado de questões fundamentais de história da Filosofia, de forma a conjugar a compreensão dos problemas em causa, do seu significado “sistemático” (e da sua relevância para o debate contemporâneo) com um amplo domínio das conexões históricas relevantes;
c) Conhecimento aprofundado de textos fundamentais de história da Filosofia, com domínio da tradição interpretativa, do estado actual da investigação e do universo de bibliografia pertinente;
d) Realização de trabalho supervisionado de investigação em história da Filosofia, que documente desenvolvimentos originais e corresponda a padrões de qualidade científica;
e) Aquisição de competências para a realização autónoma de investigação em história da Filosofia.
Pré-requisitos
Não aplicável.
Conteúdo
Causas e fins: Aristóteles, Bacon, Descartes, Spinoza, Boyle e Leibniz
A questão da natureza e do estatuto do fim é uma das mais debatidas da história da filosofia. As posições sustentadas variaram muito: Aristóteles referiu-se ao fim como causa da causa eficiente e fez dele o princípio integrador de toda a explicação causal do mundo natural; na modernidade, Spinoza defendeu que o discurso sobre o fim se funda numa ilusão insustentável – ainda que natural – do espírito humano, que há que denunciar e remover para que a metafísica e a ciência se libertem do principal obstáculo que as impede de avançar.
O século XVII é um dos períodos em que a discussão em torno do fim é mais constante e mais rica e os resultados a que esta discussão conduziu são, à primeira vista, paradoxais: nas primeiras décadas do século, Bacon e Descartes sustentam que é necessário exclui-lo das ciências naturais, enquanto, já perto do final do século, Leibniz e Boyle defendem que há que voltar a contar com o fim para elaborar uma explicação satisfatória da natureza. Leibniz chega mesmo a afirmar que por aí há que começar na Física. No entanto, apesar desta diferença, os pensadores do século XVII coincidem em defender que uma boa explicação natural é mecânica, o que significa que, mais além das divergências que os separam, vêem em Aristóteles um adversário comum.
O seminário acompanhará as principais etapas do debate sobre o fim, tal como se desenvolveu no século XVII. Pretende-se discutir a natureza e o papel do fim no interior de uma explicação mecânica da natureza; ou, o que é o mesmo, explorar em que medida a refutação moderna da teleologia de Aristóteles pode ser vista como uma refutação da própria refutação do mecanicismo, desenvolvida por Aristóteles no Livro II da Física.
Bibliografia
ARISTOTLE, Physics. With an English translation by P. Wickstead and Francis Cornford. 2 vols. Massachusetts, Harvard University Press, 1957-1960. Aristote. Physique. Texte établi et trad. par Henri Charteron. 2 vols. Paris, Les Belles Lettres, 1963-1969.
F. BACON, The Works of Francis Bacon. Edited by James Spedding, Robert Leslie Ellis and Douglas Denon Heath. XV vols. Boston, Houghton Mifflin and Company, s/d.
R. BOYLE, The Works of Robert Boyle. Edited by Michael Hunter and Edward B. Davis. 14 vols. London, Pickering & Chatto, 1999-2000.
R. DESCARTES, Oeuvres Complètes. Publiées par Charles Adam et Adam Tannery. Édition du Jubilé. 11 vols. Paris, Vrin, 1996.
G. W. LEIBNIZ, Die philosophischen Schriften. Hrsg. von K. I. Gerhardt, Berlin, 1875-1890. 7 vols. Reimpr. Hildesheim-New York, Georg Olms Verlag, l978.
B. SPINOZA, The collected works of Spinoza. Edited and translated by Edwin Curley. 2 vols. Princeton, Princeton University Press, 1985: Oeuvres complètes. Texte présenté, traduit et annoté par R. Caillois, M. Francès et R. Misrahi, Paris, Éditions Gallimard, 1954.
Método de ensino
Curso de natureza teórico-prática. A metodologia usada combina o exame teórico dos problemas com sessões práticas consagradas à análise e interpretação de textos.
Método de avaliação
A avaliação incluirá a participação no seminário e a realização e discussão de um trabalho escrito.