Ecrãs Samsung-imgElectrónica transparente da Nova já está nos ecrãs da Samsung

Lembra-se de Tom Cruise rodeado de ecrãs invisíveis em Relatório Minoritário? Uma visão futurista, claro. Ou talvez não. A Samsung acaba de apresentar, nos EUA, uma nova geração de mostradores planos que permitirão – a curto prazo – materializar na vida quotidiana esses painéis da ficção científica. Uma boa notícia? Sim. Principalmente porque a tecnologia que está na base dos mostradores transparentes foi totalmente desenvolvida no Centro de Investigação de Materiais (Cenimat/I3N), da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), da UNL.

«Estamos muito orgulhosos», diz a Professora Elvira Fortunato, co-coordenadora – com o Professor Rodrigo Martins – do Cenimat/I3N. Afinal, os mostradores tipo LCD (Liquid Crystal Displays) e OLED (Organic Light Emmiting Diodes) agora exibidos pela Samsung na SID Conference 2008 (EUA, 18-23 de Maio) – a mais importante conferência na área das Tecnologias de Informação e Comunicação – resultam de um projecto de investigação entre esta empresa e o grupo de investigação da FCT-UNL, o primeiro no mundo a conseguir produzir, à temperatura ambiente, transístores transparentes.

A grande novidade nestes mostradores é a substituição dos usuais transístores de filme fino (TFTs), baseados em silício amorfo, ou policristalino, por TFTs com óxido de zinco, um material semicondutor transparente. «Mas a transparência não é a vantagem principal [destes dispositivos]», explica Elvira Fortunato. Segundo a investigadora, estes TFTs «têm um desempenho eléctrico muito superior» aos convencionais e são «materiais muito baratos», o que reduz tremendamente o custo da tecnologia. Como se isto não bastasse, ainda são amigos do ambiente, biodegradáveis e biocompatíveis.

Além do projecto com a Samsung – do qual resultou também a submissão de uma patente internacional conjunta –, o Cenimat/I3N tem igualmente parcerias com a HP da Irlanda e EUA, a FIAT em Itália, o Centro de Telecomunicações e Electrónica da Coreia e a Saint Gobain Recherche de França. E tudo começou quando, há cerca de quatro anos, a coordenadora do centro de investigação da FCT se lembrou de fazer transístores com óxido de zinco em vez de silício, o semicondutor convencional. «Já tínhamos uma grande experiência em TFTs», conta Fortunato. Por isso, foi assim como «quem faz um bolo e substitui farinha de trigo por farinha de soja». Um cozinhado que se revelou perfeito.

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