Investigadores da FCT desenvolvem novo sensor de ADN
Fonte: Lusa
Investigadores portugueses produziram pela primeira vez um método de detecção de ADN usando uma vulgar impressora de jacto de tinta, com recurso a materiais e tecnologia de baixo custo e amigos do ambiente.
O novo sensor, desenvolvido por uma equipa conjunta dos departamentos de Ciência dos Materiais e Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, foi aceite para publicação próxima pela revista Biosensors and Bioelectronics, sendo a Professora Elvira Fortunato a responsável pelo projecto.
Foi um trabalho feito por cientistas portugueses e em Portugal, ou “made in e made by” como gosta de dizer a investigadora, conhecida especialista em micro-electrónica.
A equipa dirigida pela professora do Departamento de Ciência dos Materiais e directora do Centro de Investigação de Materiais da Universidade Nova de Lisboa já tinha produzido, em 2006, um sensor para detectar ADN, mas era baseado em silício, o semicondutor convencional usado em electrónica.
“O princípio de detecção do sistema é o mesmo, só que o elemento sensorial é completamente novo”, explica Elvira Fortunato.
“É feito com dióxido de titânio, um material usado nas pastas dos dentes, por exemplo, e foi depositado por uma simples impressora de jacto de tinta, o que torna todo o dispositivo muito barato”, realça, referindo os dois níveis de inovação da parte sensorial do dispositivo.
Barato e ecológico
O dióxido de titânio (TiO2) é uma substância muito barata, não tóxica, usada normalmente como pigmento branco para dar opacidade a tintas, cosméticos, plásticos e pastas dentífricas.
O funcionamento do sensor é muito parecido com o que ocorre na fotossíntese, porque imita a forma como as plantas retiram energia da radiação solar.
Como é “branco” e não absorve radiação, o seu material semicondutor (TiO2) tem de ser ajudado por um outro material designado por corante, que ao ser excitado permite o aparecimento de uma corrente electrónica no circuito externo, caso os dois terminais do dispositivo se encontrem ligados.
“Basicamente, o que fizemos foi remover as tintas dos tinteiros da impressora e introduzir neles uma solução à base de dióxido de titânio e com isso fizemos um sensor”, enfatizou a investigadora.
Na sua perspectiva, “as vantagens do dispositivo são imensas”. Para além do baixo custo, não necessita de marcadores, como nos sistemas de detecção convencionais, e é muito pequeno, tornando possível integrar vários sensores no mesmo chip.
“Pode detectar várias coisas, pode ser um sistema portátil, descartável, apresenta uma elevada sensibilidade e uma elevada selectividade, e além disso também quantifica”, assinalou.
Assim, em testes já realizados para detecção do bacilo da tuberculose, e além de revelar a presença de positivos ou negativos, o sistema foi também capaz de quantificar, permitindo identificar um doente ainda assintomático.
Nas palavras de Elvira Fortunato, trata-se de “um sistema de diagnóstico que pode prevenir, fazer um rastreio de uma forma extremamente simples, rápida e barata, e detectar se as pessoas estão doentes ou não”.
As áreas de aplicação possíveis vão desde o diagnóstico clínico e a monitorização de agentes patogénicos às indústrias farmacêutica e alimentar, à biodefesa e à identificação genética.




