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Inovação de cientistas da FCT na produção de quitina a partir de glicerol

Com um artigo intitulado "Biodiesel contra o colesterol e o cancro," publicado na edição do Jornal Expresso de 24 de Janeiro, a investigação realizada no Laboratório de Engenharia Bioquímica do Departamento de Química da FCT é posta em destaque, nomeadamente a descoberta de um processo inovador para produzir o polímero quitina em grande quantidade, a partir da fermentação de glicerol pela levedura Pichia pastoris. A quitina tem um grande potencial de aplicações em áreas como a medicina, as estações de tratamento de água, cristais líquidos para televisores LCD ou aditivos alimentares.

Rui Oliveira e Maria Ascensão Reis, do Departamento de Química da FCT explicaram ao Expresso que este processo inovador tem várias aplicações potenciais, nomeadamente na medicina, pois a quitina purificada pode ser usada em áreas como os fármacos de combate ao colesterol ou os implantes ósseos.

Tradicionalmente, a quitina é obtida utilizando os crustáceos como matéria-prima, um processo com algumas limitações, nomeadamente a captura insuficiente, a sazonalidade e a variação da composição das cascas em função da espécie e idade do animal.

O processo fermentativo agora descrito utiliza glicerol (um resíduo do biodiesel com pouco valor comercial) e a levedura Pichia pastoris, um microrganismo com uma elevada taxa de crescimento e em cuja parede celular se acumula a quitina. Após a fermentação, seguem-se processos químicos que permitem partir as paredes celulares da levedura e depois extrair e purificar a quitina.

Ainda segundo as declarações dos investigadores do Laboratório de Engenharia Bioquímica da FCT ao Expresso, este projecto foi financiado por uma empresa portuguesa de biotecnologia, que detém a patente desta descoberta, estando agora prevista a optimização do processo à escala laboratorial, a demonstração à escala piloto e, finalmente, a produção industrial.

 
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