Da investigação à mudança social — o modelo de saúde digital da NOVA reconhecido como farol europeu

NOVA FCT

Investigador:

Ricardo Jardim Gonçalves

Principal Área Científica:

Natural Sciences; Engineering and Technology Sciences; Medical and Health Sciences; Social Sciences

Tipos de Impacto:

Impacto Social

ODS:

3, 4, 6, 9, 11, 17

Metas dos ODS:

T3.3; T3.4; T3.8: T3.d; T4.3; T4.4; T4.7; T6.3; T6.b; T9.1; T9.5; T11.3; T11.5; T11.b; T17.16; T17.17

A NOVA (UNINOVA/CTS) criou um modelo que integra saúde digital, ambiente e envolvimento dos cidadãos.

Implementado em fase piloto na Madeira, é atualmente replicado na Europa e na Ásia.

Melhorou a saúde de pessoas idosas através de ferramentas digitais e sistemas de monitorização.

Tornou a Madeira o primeiro Super Site europeu para monitorização da saúde pública baseada em águas residuais.

A investigação desenvolvida na Universidade NOVA de Lisboa, através do Centro de Tecnologia e Sistemas (CTS) da UNINOVA, permitiu a criação de um modelo pioneiro que articula saúde digital, monitorização ambiental e envolvimento dos cidadãos. Este modelo foi inicialmente testado a nível regional na Madeira e inspira hoje processos de replicação em vários países da Europa e da Ásia.

A iniciativa respondeu a um dos desafios societais mais prementes da atualidade: como promover comunidades mais saudáveis e resilientes face ao envelhecimento populacional, às pandemias e aos riscos associados às alterações climáticas. A mudança alcançada é multifacetada, traduzindo-se na melhoria dos resultados em saúde, no empoderamento dos cidadãos, no reforço das ferramentas de política pública e na consolidação da inovação regional. Este percurso resulta de mais de cinco anos de investigação interdisciplinar internacional, co-criação com partes interessadas e implementação através de projetos financiados pela União Europeia.

Milhares de pessoas idosas beneficiaram diretamente da implementação em larga escala de tecnologias inovadoras de saúde digital. Estas incluíram aplicações móveis de saúde personalizadas, biossensores vestíveis, sistemas de prevenção de quedas e plataformas de telemonitorização, permitindo aos cidadãos gerir a sua saúde de forma proativa. Em paralelo, a vigilância contínua das águas residuais, desenvolvida em colaboração com o Joint Research Centre (JRC) da Comissão Europeia, forneceu alertas precoces sobre riscos para a saúde pública, abrangendo tanto ameaças pandémicas como desafios emergentes, nomeadamente o consumo de substâncias.

A abordagem integrada do modelo — combinando saúde, ambiente e envolvimento cidadão — permitiu que a Madeira se tornasse o primeiro Super Site europeu para monitorização da saúde pública baseada em águas residuais, reconhecido pela Comissão Europeia como um laboratório vivo único na Europa. Este trabalho contribuiu para a definição de estratégias de saúde pública e reforçou a capacidade de preparação dos sistemas de saúde através de análises avançadas e de metodologias de prospetiva baseadas em dados. Simultaneamente, promoveu a participação ativa dos cidadãos e criou uma ligação duradoura entre comunidades, investigadores e decisores políticos, materializada na criação do Pavilhão da Saúde Digital e Bem-Estar, no Funchal — um espaço público inovador onde os cidadãos podem explorar, co-conceber e testar soluções de saúde digital. O Pavilhão tornou-se um polo físico e simbólico de inovação inclusiva, literacia em saúde digital e diálogo intergeracional na Europa.

Estes resultados só foram possíveis graças a uma forte colaboração institucional e intersectorial. A iniciativa foi implementada localmente com o apoio das autoridades governamentais e de saúde, do Instituto de Desenvolvimento Empresarial e Inovação Tecnológica da Madeira (IDEA), e através de parcerias com municípios, universidades, empresas e centros internacionais de investigação em toda a Europa. A Comissão Europeia reconheceu formalmente o impacto societal deste trabalho através de uma carta dirigida ao Presidente do Governo Regional da Madeira e ao Presidente da Câmara Municipal do Funchal.

Este envolvimento sustentado gerou também impacto estrutural ao nível da educação, com a criação do novo Mestrado em Competências Digitais para a Saúde na NOVA, assegurando que futuras gerações de profissionais poderão dar continuidade e expandir o legado desta iniciativa. O modelo tornou-se uma referência reconhecida na Europa e na Ásia, com projetos-piloto de replicação em curso que comprovam a sua escalabilidade e relevância.

A iniciativa foi concretizada através de vários projetos de investigação financiados pela União Europeia, coordenados ou co-coordenados por investigadores da NOVA no UNINOVA/CTS. Entre estes destacam-se projetos de apoio a pessoas idosas com doenças crónicas através de ferramentas digitais personalizadas (SmartBEAR), plataformas de telemedicina e cuidados intensivos durante a crise da COVID-19 (ICU4Covid), desenvolvimento de registos eletrónicos de saúde interoperáveis para cidadãos europeus (Smart4Health), soluções avançadas de telereabilitação com apoio à decisão inteligente (TeleRehaB), monitorização de ameaças à saúde pública através de análise ambiental (WasteWater Sentinel), reforço da confiança digital em credenciais educativas e profissionais através de tecnologias blockchain (QualiChain), e o Programa Internacional de Mestrado Empowering Healthcare through Digital Technology (DS4Health).

Estes resultados demonstram não apenas profundidade e escala, mas uma trajetória clara desde a investigação até a um impacto societal sustentado, mensurável e sistémico. O modelo alinha-se de forma direta com vários Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, nomeadamente a promoção da saúde e bem-estar através da prevenção e da resiliência (ODS 3 — metas 3.4 e 3.d), o reforço das competências digitais e da aprendizagem ao longo da vida (ODS 4 — metas 4.4 e 4.7), a melhoria da saúde ambiental através da monitorização das águas residuais (ODS 6 — meta 6.3), o fortalecimento da capacidade de inovação e investigação (ODS 9 — meta 9.5), e a promoção de parcerias estratégicas intersectoriais (ODS 17 — metas 17.16 e 17.17).

O papel da NOVA foi central ao longo de todo o processo, enquanto motor científico, instituição de ensino superior de confiança, parceira europeia e agente de inovação institucional. Esta iniciativa demonstra como a investigação académica pode gerar transformação sistémica para além das publicações ou patentes, influenciando políticas públicas, melhorando vidas e estabelecendo referências globais.

Mais do que um estudo de caso, este é um modelo de como a excelência científica, quando enraizada nas necessidades reais da sociedade e aplicada com humildade, convicção e ambição, pode produzir impactos muito para além da sua origem. Como afirmou a Comissão Europeia na sua comunicação oficial, trata-se de uma boa prática em impacto societal — um testemunho do papel determinante do UNINOVA/CTS na investigação aplicada e uma confirmação da liderança da NOVA na construção do futuro da saúde, da ciência e da inovação.

Este é verdadeiramente um contexto único em toda a Europa. O nível de inovação, acessibilidade e envolvimento direto com cidadãos e visitantes é notável.

Bernd Manfred Gawlik – Comissão Europeia, DG Joint Research Centre