O Índice de Saúde Sustentável é uma iniciativa de investigação de referência que transformou a forma como Portugal acompanha e discute a sustentabilidade do seu sistema de saúde. Desenvolvido por investigadores da NOVA Information Management School (NOVA IMS), em parceria com a AbbVie Portugal e o jornal nacional Expresso, o índice oferece um quadro multidimensional e robusto para avaliar o sistema em vários pilares: atividade, custo, qualidade/valor em saúde, acesso aos cuidados e inovação.
Antes da criação do índice, Portugal não dispunha de uma ferramenta composta, longitudinal e publicamente visível que sintetizasse o desempenho do sistema de saúde. O Índice de Saúde Sustentável colmatou esta lacuna ao combinar dados primários recolhidos junto dos utilizadores do sistema, análise de dados secundários, avaliação por peritos e validação por partes interessadas, produzindo uma pontuação anual de sustentabilidade que permite comparações ao longo do tempo e promove a transparência.
Desde o seu lançamento, em 2018, o índice tem gerado um impacto alargado. Os decisores políticos utilizam-no como referência para apoiar reformas e priorizar investimentos. Os gestores hospitalares recorrem ao índice para benchmarking interno e planeamento estratégico. Os meios de comunicação social, em particular o Expresso, integraram-no nos seus ciclos regulares de análise nacional, contribuindo para aumentar a consciencialização pública sobre os desafios estruturais e os progressos do sistema de saúde. O índice tem sido citado em comissões parlamentares, relatórios de saúde pública e artigos de opinião especializados. Para além disso, a metodologia tem sido referenciada em publicações académicas e adaptada para planeamento institucional por autoridades regionais de saúde.
O que distingue este projeto é o seu envolvimento contínuo e estratégico com os diferentes stakeholders. Todos os anos, os resultados do índice são apresentados e debatidos em eventos públicos dedicados — em particular nas Conferências de Saúde Sustentável da AbbVie — que reúnem figuras de destaque de todo o ecossistema da saúde. Entre os participantes contam-se o Presidente da República, Ministros da Saúde, Deputados, profissionais de saúde e representantes de doentes.
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Estes debates multissetoriais reforçaram a credibilidade do índice, facilitaram o alinhamento de políticas e garantiram a sua relevância prática. Criaram também uma plataforma para traduzir o conhecimento académico em propostas concretas, algumas das quais influenciaram a definição de estratégias nacionais para o acesso à inovação e para a gestão das doenças crónicas.
A metodologia foi desenvolvida pela NOVA IMS através de um processo científico rigoroso, combinando fontes de dados públicas (INE, ACSS, PORDATA, OCDE, entre outras), modelos de desempenho, dados primários recolhidos através de um inquérito nacional à população e validação por especialistas. O modelo de pontuação é revisto anualmente para assegurar a sua adaptação às mudanças do sistema de saúde. A AbbVie assegurou o apoio institucional e a articulação com os stakeholders, enquanto o Expresso garantiu um canal de divulgação que aproximou a ciência da sociedade.
A principal inovação do projeto reside na sua capacidade de transformar conjuntos de dados complexos numa ferramenta relevante para as políticas públicas, acessível e mobilizadora. Em vez de se centrar apenas em publicações científicas ou métricas académicas, o índice foi concebido para gerar mudança — fornecendo a todos os intervenientes uma linguagem comum para avaliar a sustentabilidade e exigir melhoria.
Desde 2018, o índice tornou-se uma referência recorrente no debate sobre saúde pública em Portugal. Os seus resultados são publicados anualmente e divulgados através de artigos de opinião, infografias e painéis de debate. Desta forma, contribuiu para um diálogo mais informado e transparente sobre desafios críticos como a integração da saúde digital, os tempos de espera, a pressão sobre os recursos humanos e os resultados centrados no doente.
O sucesso do projeto resulta da sua visão de longo prazo e da solidez da parceria intersectorial. Constitui um exemplo de como as universidades podem gerar valor público através da colaboração com a indústria e os meios de comunicação social, sem comprometer a independência científica nem o rigor metodológico. Demonstra igualmente a importância do envolvimento contínuo: o índice não é um relatório pontual, mas uma intervenção viva, baseada em investigação, que evolui em paralelo com o sistema de saúde que avalia.
Em síntese, o Índice de Saúde Sustentável influenciou políticas públicas, fortaleceu o debate público e ajudou a alinhar diferentes atores em torno do objetivo comum de construir um sistema de saúde mais resiliente, equitativo e inovador em Portugal. Através de dados, diálogo e desenho metodológico, tornou-se uma bússola de confiança na procura de uma saúde sustentável.
Ao integrar evidência científica com o diálogo político, o Índice de Saúde Sustentável tornou-se um instrumento de confiança para orientar decisões e prioridades na saúde — um exemplo de como a análise baseada em dados pode gerar valor público. Estamos empenhados em conduzir Portugal para um sistema de saúde não só mais eficiente, mas também mais justo, transparente e resiliente.
Pedro Simões Coelho
