NOVA Aerospace: “A universidade deve estar onde o conhecimento é necessário, a inovação acontece e o talento pode ser desenvolvido”

4 de Fevereiro, 2026

A Universidade NOVA de Lisboa apresentou esta terça-feira, dia 3, na Reitoria, o projeto NOVA Aerospace – The Concept, uma iniciativa que “assinala não apenas a apresentação do projeto, mas, sobretudo, a afirmação de uma visão estratégica para o futuro do Ensino Superior, da Ciência e da Inovação em Portugal”.

Para o Reitor, Paulo Pereira, este é “um momento especialmente dedicado àquilo que melhor define uma universidade moderna: a capacidade de produzir conhecimento científico de excelência e, ao mesmo tempo, transformá-lo em impacto económico, social e tecnológico”.

É neste enquadramento que surge a NOVA Aerospace, associada ao aeródromo de Tires, onde se espera que cresça uma verdadeira aeropolis. O Reitor reiterou ainda que o setor é um dos mais estratégicos à escala global, por ser determinante para a mobilidade, para a segurança, para a soberania tecnológica, para a transição climática e para a competitividade económica. “A universidade deve estar onde o conhecimento é necessário, onde a inovação acontece e onde o talento pode ser plenamente desenvolvido”, rematou.

Um entusiasmo partilhado por vários representantes do setor — e da região. Nuno Piteira Lopes, o atual autarca de Cascais, que herdou o projeto do antecessor, Carlos Carreiras, agradeceu uma iniciativa que, disse, “molda o presente” e marcará, também, “de forma indelével, o futuro”: “Trata-se de algo inédito em Cascais, na área de Lisboa, em todo o país. Só encontramos igual nas regiões mais desenvolvidas do mundo”.

Com os olhos no céu

Pela Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), Ana Mata defendeu que estamos perante “uma base sólida para o crescimento sustentável do setor”, que “reflete a visão da ANAC para o futuro das profissões aeronáuticas e para a valorização da aviação junto das novas gerações”, com vista à “transição para uma aviação sustentável”.

Carlos Carreiras, ex-presidente da Câmara Municipal de Cascais e figura central em todo o projeto, considerou que a NOVA Aerospace vem responder ao problema de se ter “uma estrutura aeroportuária que dava prejuízo”, com a mais-valia de contar com uma aposta na educação, “que continua a ser o maior elevador social”. Para o antigo autarca, o melhor é tratar-se de uma “associação virtuosa de academias: do saber, do fazer e do cuidar”.

José Alferes, diretor da NOVA FCT, assinalou, de seguida, a relevância do projeto que colocou a Universidade “com os olhos no céu”: “Não podia coincidir mais com a missão da NOVA, onde coexistem ensino, investigação e inovação, num projeto ancorado no território”. E acrescentou: “é liderado pela engenharia, mas com uma vocação que, num futuro próximo, será transversal a toda a Universidade” — do Direito às Ciências Médicas.

Uma licenciatura inovadora

Seguiu-se um dos pontos altos do evento, com João Martins, coordenador do NOVA Aerospace, a anunciar que a licenciatura em engenharia aeroespacial começará já no próximo ano letivo de 2026/2027 e que prevê a presença de alunos e algumas atividades em Tires. “Ali teremos um laboratório vivo para os nossos estudantes, seja uma arena de drones ou ensaios em túneis de vento”, salientou, lembrando que este caráter experimental é algo que “está no ADN da NOVA”.

A vice-reitora da NOVA para a Inovação, Criação de Valor e Assuntos Globais, Isabel Rocha, lembrou que “é na universidade que se cria o conhecimento de base” e que importa garantir que “é transformado em valor económico e social”. O percurso da NOVA na área, como reiterou, é revelador: “posicionamo-nos como uma das universidades portuguesas com mais patentes internacionais; estamos no TOP 3 das mais empreendedoras do país e temos ainda o reconhecimento internacional ao nível da União Europeia, onde temos partilhado essa experiência”.

Espaço para ir mais longe

O encontro destacou ainda a importância de estabelecer sinergias entre a academia e o setor privado. José Rui Marcelino, vice-presidente da AED Cluster Portugal — organização privada sem fins lucrativos para as Indústrias de Aeronáutica, Espaço e Defesa — sublinhou a potencialidade do projeto em “fazer de Portugal uma referência”. “O grande desafio implica juntarmo-nos todos em volta desta causa, para que Portugal seja grande nesta área.”

Philomène Dias, administradora da AICEP, lembrou, por seu lado, a existência de vários instrumentos financeiros para apoiar a inovação e a internacionalização neste domínio, salientando que Portugal está já a conseguir atrair investimento internacional. “E o primeiro critério para tal tem sido o talento” — acrescentando que a partir de agora a NOVA Aerospace poderá tornar-se um ator decisivo no setor.

Antes da mesa-redonda final — dedicada às oportunidades e aos desafios dos setores aeroespacial e aeronáutico em Portugal e com representantes de entidades como a TAP, a Embraer ou a OGMA — houve ainda tempo para ouvir António Grilo, Presidente da Agência Nacional de Inovação (ANI). O responsável recordou que, desde o lançamento do mestrado na área, na NOVA FCT, há cinco anos, Portugal conseguiu atrair diversos financiamentos europeus para projetos que combinem ciência e conhecimento, com capacidade e competência. “Hoje, com a NOVA Aerospace e a nova licenciatura em engenharia aeroespacial, vemos que há espaço para ir mais longe”.

Durante o evento, foram também assinados protocolos de colaboração com a TAP e a ANAC, além da multinacional INDRA – a acrescentar aos já estabelecidos anteriormente com a Optimal e ainda com o brasileiro ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica).