“Se eu hoje tivesse de falar com a Margarida de há 15 anos, que tinha muito medo do futuro, eu dir‑lhe‑ia: faz, mesmo que tenhas medo. Estuda, mesmo que não tires a melhor nota. Treina, mesmo que não fiques em primeiro. Porque a minha vida, hoje, é a vida que a Margarida de então sonhava.”
Foi com este testemunho que Margarida Silva, antiga aluna da NOVA, nutricionista da NOVA Medical School e atleta medalhada nos Jogos Surdolímpicos, emocionou um auditório cheio, esta quinta‑feira, dia 7, na Reitoria da Universidade NOVA de Lisboa, nos momentos iniciais da cerimónia dos NOVA Young Talent Awards, que celebra o talento jovem da Universidade.
No seu discurso, Margarida falou do medo, da persistência e do valor do trabalho contínuo, sublinhando que o futuro não se constrói apenas com talento, mas com trabalho, propósito e humanidade. Partilhou ainda a sua experiência enquanto pessoa surda, num mundo que nem sempre estava preparado para a receber, e o esforço de aprender a falar “contra a sua natureza” para conseguir integrar‑se.
A sua intervenção deu depois espaço à celebração de uma iniciativa que, ao longo de mais de uma década, se consolidou como um dos momentos mais simbólicos da vida académica da NOVA. Tal como reforçou o Reitor, Paulo Pereira, na sua intervenção, os NOVA Young Talent Awards “não celebram apenas resultados, mas reconhecem a disciplina, a consistência, a ambição e o compromisso de estudantes que souberam transformar talento em trabalho e em mérito”.
A cerimónia distinguiu 41 estudantes com o melhor desempenho no primeiro ano das licenciaturas e mestrados integrados da NOVA, no ano letivo 2024/2025: 17 da NOVA FCT, 15 da NOVA FCSH, 3 da NOVA IMS, 3 da Nova SBE, 2 da NOVA Medical School e 1 da NOVA School of Law. A distinção traduz‑se numa bolsa de valor igual ao montante da propina anual, atribuída no final de cada ano letivo, como sinal concreto de reconhecimento do mérito alcançado, distinguindo também as escolas secundárias de origem dos estudantes.
Tudo testemunhado, com orgulho, pelos vários diretores e representantes das unidades orgânicas da NOVA presentes no auditório: José Alferes (NOVA FCT), Alexandra Curvelo (NOVA FCSH), Miguel de Castro Neto (NOVA IMS), Margarida Lima Rego (NOVA School of Law), bem como Ana Balcão Reis, subdiretora da Nova SBE, e Paula Macedo, subdiretora da NOVA Medical School, lado a lado com os membros da equipa reitoral também presentes: Cecília Roque, Vice-Reitora para a Investigação e Formação Avançada, Emília Monteiro Vice-Reitora para o Ensino, Vida Académica, Saúde e Qualidade, João Dias Pró-Reitor para a Inovação Administrativa, Transformação Digital e Comunicação e Manuela Aparício Pró-Reitora para a Inovação Pedagógica e José Branco Pró-Reitor para o Desenvolvimento Institucional e Angariação de Fundos.
Importa ainda referir que, no dia em que a NOVA reforçou publicamente o seu compromisso com a inclusão, no I Encontro Nacional da Rede Valor T IES, a inclusão e a acessibilidade estiveram duplamente em destaque nesta cerimónia. Além do testemunho de Margarida Silva, o evento contou também com a presença de Sebastião Palha, da equipa da Valor T, parceira da NOVA, assegurando a tradução integral da sessão em língua gestual portuguesa.
“Um sinal claro do caminho que queremos continuar a fazer: o de uma universidade verdadeiramente inclusiva, onde cada pessoa encontra o seu lugar, a sua voz e a possibilidade de participar plenamente”, reforçou ainda o Reitor, Paulo Pereira, sublinhando que a excelência universitária se mede também pela sua capacidade de incluir e de garantir que ninguém fica à margem.
Houve ainda espaço para a música, com a atuação da banda Queima Roupa, um projeto nascido no seio do NuMAC — Núcleo de Música, Arte e Cultura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da NOVA. Entre “Frágil”, de Jorge Palma, no início da cerimónia, e “Chaga”, dos Ornatos Violeta, a encerrar, a banda brindou ainda a audiência com o, muito a propósito, “Fly Me to the Moon”, de Frank Sinatra, como quem deixa no ar o desafio de ir mais longe, e a sonhar para lá do imediato.
