“As universidades não podem permanecer à margem destes debates. Pelo contrário, têm o dever de participar ativamente neles.” Foi com esta mensagem que o Reitor da Universidade NOVA de Lisboa, Paulo Pereira, inaugurou a Reunião Anual de 2026 do Academic Council on the United Nations System (ACUNS), que juntou, no Campus da NOVA em Campolide, centenas de académicos, decisores políticos e especialistas de várias partes do mundo para refletir sobre os desafios do multilateralismo e da cooperação internacional, entre os dias 1 e 3 de julho.
Perante um contexto global marcado por conflitos, crises humanitárias, alterações climáticas e crescentes desafios às instituições multilaterais, o Reitor fez ainda questão de sublinhar a importância do ACUNS enquanto espaço de reflexão crítica e intercâmbio entre academia e prática internacional. “Acolher esta reunião é muito importante para a NOVA porque nos permite trazer para a Universidade uma conversa global profundamente alinhada com a nossa missão: promover o conhecimento em benefício da sociedade; formar estudantes como cidadãos do mundo; defender o humanismo, a cooperação, as liberdades fundamentais e os direitos humanos; e promover a paz.”
Por fim, manifestou o desejo de que o encontro contribua para gerar novas ideias, parcerias e formas de confiança ao serviço da cooperação global e do desenvolvimento sustentável. “E que relembre que o conhecimento é um bem público e que as comunidades académicas têm um papel vital na preservação da esperança, da razão e da cooperação em tempos difíceis.”
Copresidida por Júlia Seixas, Pró-Reitora da NOVA para a Sustentabilidade, e por Richard Ponzio, Senior Fellow e Director do Stimson Center, esta Reunião Anual do ACUNS propôs-se fazer uma avaliação crítica da capacidade do sistema das Nações Unidas para facilitar a cooperação multilateral, analisando o seu desempenho desde o último grande esforço de reforma, no âmbito da Cimeira Mundial da ONU realizada em 2005.
Além de ter contado com a presença da Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Ana Isabel Xavier, e de uma mensagem gravada de Jorge Moreira da Silva, Diretor Executivo do Gabinete das Nações Unidas para Serviços de Projetos, o programa contou com intervenções de figuras de grande relevo, como Adriana Abdenur, co-presidente do Global Fund for a New Economy, Jean-Pierre Lacroix, secretário-geral adjunto das Nações Unidas para as Operações de Paz, e Kitty van der Heijden, diretora executiva adjunta da UNICEF para as Parcerias, que encerrou o encontro com uma mensagem particularmente acutilante.
“Esta minha palestra não é sobre alterações climáticas. É sobre a forma como elas impactam as nossas crianças. Foram as que menos contribuíram para esta situação e são as que mais vão sofrer, porque é a elas que vamos deixar este planeta a arder.” O alerta é de Kitty van der Heijden, diretora executiva adjunta da UNICEF para as Parcerias. Sob o título No Small Matter: Children and Climate Change, a responsável fez questão de assinalar desde logo como as alterações climáticas afetam a vida das crianças desde o momento em que nascem e como o cenário é sempre mais grave quando vivem num contexto de pobreza. Uma realidade que, insistiu, exige que as vozes e os direitos das gerações mais jovens ocupem um lugar central nas respostas globais ao aquecimento do planeta.
“Temos-lhes falhado e muito. Só na COP28, em 2023, começámos a incluir as crianças no debate sobre as alterações climáticas”, apontou, depois de relatar situações como a de um bebé do Bangladesh que nasceu com baixo peso na sequência de um parto prematuro provocado por uma onda de calor extremo, enfrentando desde logo consequências no desenvolvimento cognitivo. Ou a de uma rapariga da Papua-Nova Guiné que tem de atravessar a nado um rio cheio de crocodilos para chegar à escola, depois de a ponte que ligava a sua aldeia ter sido destruída por uma intempérie e nunca ter sido reconstruída. “Temos de fazer melhor, porque o futuro ainda está nas nossas mãos”, rematou a responsável da UNICEF. “Está na hora de fazer acontecer.”
Um evento que pode ver ou rever no canal de Youtube da NOVA
